Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão, Luís Pereira, considera "inaceitável" a decisão do Governo espanhol de autorizar a construção de um armazém de resíduos nucleares em Almaraz e manifestou-se solidário com o Governo português.
O presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão, Luís Pereira, considera "inaceitável" a decisão do Governo espanhol de autorizar a construção de um armazém de resíduos nucleares em Almaraz e manifestou-se solidário com o Governo português.
"Só posso manifestar a minha surpresa com esta decisão [autorização do Governo espanhol]. Penso que é inaceitável e o Governo português faz muito bem em reagir de imediato para as instâncias europeias", disse à agência Lusa o presidente do município de Vila Velha de Ródão, Luís Pereira.
O Governo espanhol deu autorização à construção de um armazém para resíduos nucleares na central de Almaraz, localizada a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, através de uma resolução da Direção-Geral de Política Energética e Minas do Ministério da Energia.
De acordo com o Boletim Oficial do Estado (BOE) espanhol, divulgado na quarta-feira, que reporta a resolução de 14 de dezembro de 2016, da Direção-Geral de Política Energética e Minas, é autorizada “a execução e montagem da modificação do desenho correspondente ao Armazém Temporário Individualizado da Central Nuclear Almaraz, Unidades I e II".
O autarca sublinhou que a decisão do executivo espanhol "não pode passar, de forma alguma, em claro" e adiantou que se trata de "uma atitude de desrespeito que o Governo espanhol está a manifestar com esta decisão".
Luís Pereira defendeu que o Governo português deve fazer todos os esforços no sentido de tentar reverter a decisão da construção do armazém de resíduos nucleares na central de Almaraz.
"Da parte das autarquias, [o Governo português] contará com total apoio para as iniciativas que queira tomar para fazer parar este processo. Estamos inteiramente solidários com as decisões que o Governo tomar nesse sentido", concluiu.
O ministro do Ambiente afirmou na quinta-feira estar surpreendido com a autorização de Espanha à construção do armazém de resíduos nucleares em Almaraz, considerando haver incumprimento de legalidade e lealdade entre os dois países, e que decorrem agora contactos diplomáticos.
"Temos três princípios muito claros. O primeiro é o da legalidade e ela não foi cumprida", disse à agência Lusa João Matos Fernandes, e explicou que, num projeto deste tipo, as leis comunitárias obrigam à existência de uma avaliação de impactos ambientais transfronteiriços e "isso não foi feito".
A funcionar desde o início da década de 1980, a central está situada junto ao Tejo e faz fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre, sendo Vila Velha de Ródão a primeira povoação portuguesa banhada pelo Tejo depois de o rio entrar em Portugal.
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